sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

A intemporalidade do TEMPO

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

                      Luís de Camões
No mundo sempre em mudança, nada mais atual e com tanta pertinência ... (séc XVI). Só mesmo o genial poeta português, Luís de Camões, objeto do nosso estudo e sistemáticas pesquisas.
Leiam de forma crítica e verão que vão descobrir sentidos que até aqui nem tinham notado.
Nós, 12ºN, recomendamos a leitura, neste início de 2011, ano de tanta mudança!!!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A propósito do nosso genial Camões, descobrimos que alguém se inspirou na obra "Os Lusíadas" e criou um texto divertido e algo engenhoso. Divirtam-se com esta leitura.



I
As sarnas de barões todos inchados
Eleitos pela plebe lusitana
Que agora se encontram instalados
Fazendo aquilo que lhes dá na gana
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se de quanto proclamaram
Em campanhas com que nos enganaram!

II                        
E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas.
Desprezam quem de fome vai chorando!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte!

  
III                   

Falem da crise grega todo o ano!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano.
Votaram no refugo que elegeram!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta.
  


IV
E vós, ninfas do Coura onde eu nado
Por quem sempre senti carinho ardente
Não me deixeis agora abandonado
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente
Aqueles que já têm no seu gene
A besta horrível do poder perene!

domingo, 12 de dezembro de 2010

Concurso Camões, um poeta genial

Vamos alimentar um blog interessante, rico, com conteúdo diversificado sobre o grande poeta, Camões.
Tentaremos ser originais sobretudo nas reflexões que vamos fazendo a propósito de textos estudados em aula e pesquisados por nós, obedecendo ao nosso gosto.
Incluiremos imagens, comentários e sugestões de leitura. Como somos alunos do ensino profissional - curso Multimédia teremos muito gosto em colocar animações adequadas ao assunto analisado.
Sentir a poesia verdadeira, profunda e partilhar  um mar de sentimentos e emoções à deriva no universo poético e nas nossas vidas é o nosso desafio.



Reflexão: A propósito do que se vai ouvindo sobre o nosso país, lembramo-nos de ...

O desconcerto do Mundo

Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E, para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só para mim,
Anda o mundo concertado.

Camões